Ticker

6/recent/ticker-posts

Geração Gibi


Anos 80. Para muitos foi a década da boa música. Também acho que foi um tempo em que se fazia música de qualidade. Mais do que qualquer coisa, para mim os anos 80 ficaram marcados como a Geração Gibi, ou seja, a geração que curtia as histórias em quadrinhos. Nos anos 90 com a chegada da nova geração, os gibis foram perdendo força ou magia, não sei ao certo que termo usar, mas sei que não era mais como no meu tempo de criança e adolescente.
Os gibis eram talvez a única maneira que tínhamos para fazer contato com o mundo da fantasia, com o novo e com o conhecimento. Sim, conhecimento, porque nas histórias em quadrinhos tínhamos a chance de desenvolver a leitura e a escrita. Pergunte a uma pessoa que tem mais de 30 anos e ela concordará que nos gibis melhorou sua leitura.
Televisores eram poucos. Os que tinham se contentavam em assistir tudo em preto e branco, porque TV à cores era coisa de rico. Em nossa casa, o primeiro aparelho de televisão chegou quando eu tinha uns 14 ou 15 anos. Era preto e branco. Antes disso eu e meus irmãos assistíamos televisão nas casas dos vizinhos. Quando queríamos ver algo colorido esperávamos chegar o domingo para ir a um bar ou lanchonete e assistir Thundercats ou Super Mouse. Aí quando a TV chegou a nossa casa ficamos viciados no Xou (Xou com X mesmo) da Xuxa, não por causa dela, mas sim para ver as aventuras da Caverna do Dragão, os Smurfs e tantos outros.
Se na televisão era dificultoso ter acesso ao entretenimento, nos gibis era a coisa mais fácil do mundo. Isso porque havia um rodízio, uma troca de revistinhas. Quando um “moleque” lia um gibi, passava para o outro e assim acontecia sucessivamente. Em resumo, o que um lia, outros também liam. Era a Geração Gibi acontecendo.

Em seus últimos dias ela chegou a seus momentos mais intensos. Aqueles garotos que se divertiam com Chico Bento e demais personagens da Turma da Mônica, Donald, Mickey e dezenas de outros personagens de Walt Disney, passando pelos personagens de Hanna-Barbera e tantos outros, agora queriam experimentar algo mais intenso, pois afinal estavam deixando de ser garotinhos sonhadores e entrando para a adolescência. Queriam aventuras e esse desejo foi atendido. Foi nesse período que eu comecei a ler os X- Men, Homem Aranha; Conan, o Bárbaro e Tex. Não poderia esquecer do Zagor. “Caramba y carambita!”, dizia seu fiel escudeiro Chico. Estava intenso demais, mas a Geração Gibi estava com o seu fim selado.
Não sei se foi porque todos ou quase todos passaram a ter um aparelho de televisão em casa naquela época ou se foi pela facilidade em comprar um vídeo cassete para assistir filmes e desenhos ou se foi pelo surgimento do DVD algum tempo depois ou com a chegada da internet nos últimos dez anos, mas algo aconteceu para dar fim à Geração Gibi.
Como todo sonhador e saudosista desta época, ainda penso que ela possa voltar. Quem sabe. Mas posso afirmar com orgulho que muito do que aprendi, muito do que sonhei, aconteceu por eu ter feito parte desta geração inesquecível!


Postar um comentário

0 Comentários

Ad Code

Responsive Advertisement