Economia Edição de terça-feira, 7 de setembro de 2010
Tesouro conquista 197 mil investidores
Até julho passado, o estoque de títulos era R$ 3,9 bilhões. Mais de 50% eram de valores abaixo de R$ 5 mil
Gabriel Caprioli
Aplicar em poupança, escolher um fundo administrado pelo banco ou arriscar uma rentabilidade maior com a compra de ações na bolsa de valores. São algumas das muitas dúvidas que pairam sobre o consumidor quando sobra um pequeno valor no orçamento doméstico ou quando é necessário economizar para um objetivo específico. O que pouca gente sabe é que, atualmente, o pequeno investidor também pode recorrer aos títulos do governo com a mesma facilidade de quem acessa a conta-corrente pela internet.
Coordenador-geral de Planejamento Estratégico da Dívida Pública, Rodrigo Cabral, explica as vantagens da operação Foto: Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press
Desde o início de 2002, o Tesouro Nacional mantém o programa Tesouro Direto, criado para oferecer aos investidores pessoa física os mesmos títulos públicos vendidos aos grandes aplicadores institucionais. Até agora, contadando da data de criação, o programa já atraiu mais de 197 mil investidores. Até julho (último dado disponível), o estoque de títulos na mão dos investidores dessa modalidade era R$ 3,9 bilhões. Do total de operações, 52,04% são de valores abaixo de R$ 5 mil, o que aponta a participação expressiva do pequeno investidor.
Com quantias a partir de R$ 150, qualquer cidadão pode passar a ser um credor da União e deter parte da dívida federal. "A grande vantagem para o investidor é poder comprar com, por exemplo, R$ 500, papéis pelo mesmo preço e com as mesmas condições de juros e de rentabilidade prevista obtidas por um banco que adquiriu R$ 300 milhões dos mesmos títulos", explica o coordenador-geral de Planejamento Estratégico da Dívida Pública, Rodrigo Cabral.
Antes, o cidadão podia ter acesso aos títulos do governo apenas por meio de fundos de investimento, que normalmente possuem em carteira um conjunto de papéis públicos. Cabral destaca que a principal diferença entre essa forma de investimento e o Tesouro Direto é que, no programa, o pequeno investidor pode montar a própria carteira. Já nos fundos mistos (compostos também por ações e outras aplicações), ele apenas se serve da rentabilidade pelo período no qual detém as cotas da aplicação, sem controlar a composição da carteira.
Na prática,ao investir diretamente pelo programa do Tesouro, o pequeno investidor pode adquirir os títulos públicos conforme seus planos. Um levantamento feito mensalmente pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima) aponta que o rendimento médio dos títulos públicos nos últimos 12 meses encerrados em agosto foi de 17,11%. No mesmo período, os fundos de renda fixa renderam 10,53%. Já uma simulação feita pelo Tesouro indica que mesmo se a taxa de retorno bruta for semelhante, o programa pode render até 75% mais que um fundo de investimento com custo de administração de 2%. Além disso, pode render também até 34% mais que a poupança, em um mesmo período.
Cadastro
Para poder comprar os títulos públicos via o Tesouro Direto, o pequeno investidor precisará entrar em contato com um dos bancos ou agentes credenciados pelo Tesouro para operar o sistema, pelo site da instituição (leia o passo a passo no quadro). Será cobrado apenas o custo da aplicação, que é de 0,1% sobre o valor da compra, mais 0,3%, ao ano, referentes à custódia dos títulos, que ficam guardados na Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC). No vencimento dos papéis, cujos prazos variam de um mês até 30 anos, também é descontado o Imposto de Renda. Mas há casos em que é possível optar pelo desconto mensal.
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