Cotidiano Edição de sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Problemas que já duram uma década
Gustavo Gominho assegurou que nova sede será concluída até no máximo dia 22 de setembro
Márcio Rangel // marciorangel.pb@dabr.com.br
O secretário de estado da Segurança Pública, Gustavo Gominho, decidiu comentar ontem sobre as irregularidades do Núcleo de Medicina e Odontologia Legal(antiga UML) e deixou claro que o problema já existe há dez anos e que será resolvido em breve com a conclusão da nova sede que deverá estar pronta até o próximo dia 22 de setembro. Ele também reconheceu a existência dos problemas, dentre eles, a destinação dos resíduos sólidos da instituição. O chefe da pasta voltou a afirmar que a situação não é nova e há pelo menos dez anos vem sendo arrastada por administrações anteriores."Nós estamos trabalhando e vamos resolver o problema. Estamos realizando obras de reformas e já a partir do dia 22 teremos a conclusão do aparelhamento da nova sede administrativa do Numol, que vai funcionar em um prédio locado no bairro da Prata", declarou.
Secretário de Segurança e Defesa Social, Gustavo Gominho, reconhece a existência dos transtornos e garante resolução Foto: Fabyana Mota/ON/D.A Press
O diretor do Numol, José Cavalcanti, também confirmou que ainda este mês a nova unidade começará a funcionar. "A construtora confirmou que dia 22 entrega a obra", afirmou.
Surpresa
A situação em que se encontra o Numol tem repercutido na cidade. As irregularidades denunciadas pelo Ministério Público e constatadas pela reportagem do Diário da Borborema pegaram de surpresa a sociedade campinense e principalmente as mais de 50 famílias que atualmente residem na localidade chamada de "Invasão da UML". Os moradores do local não sabiam que até os resíduos sólidos, incluindo os restos mortais oriundos das necropsias dos cadáveres eram jogados no interior do açude de Bodocongó.
A notícia assustou os moradores da área, já que a maioria deles usam a água do reservatório nos serviços domésticos. Outro fato que preocupou foi a questão do consumo dos peixes que são retirados do açude e até comercializados em feiras livres.
A dona de casa Diana Carla dos Santos, 25 anos, é mãe de uma criança. Quando soube da notícia do despejo dos dejetos da UML no local ficou muito nervosa. Segundo ela, além de sua criança brincar as vezes com a água do açude, quando estavagrávida, chegou a consumir, por mais de uma vez, os peixes do manancial. "Quando estava grávida de vez em quando me batia o desejo de comer peixes e eu obrigava meu marido a pescar os peixes no açude. Hoje, quando ouvi a notícia no jornal fiquei assustada. Já era difícil morar aqui do lado deste açude que é poluído e agora então. É imoral", declarou.
A aposentada Maria de Lourdes Silva, tem 52 anos e há quase dois anos reside em um casebre que ela conseguiu comprar após realizar um empréstimo no banco. O pequeno imóvel, que possui infraestrutura precária e apenas dois cômodos, fica a menos de 50 metros do açude de Bodocongó e ao lado corre um canal com águas de esgoto que são despejadas no manancial. Ela também se surpreendeu com o fato da Unidade de Medicina Legal está colocando os materiais no local.
De acordo com ela, quando existem muitos corpos expostos na garagem da instituição sem qualquer identificação, a fedentina em sua residência fica insuportável e todos reclamam.
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