Cotidiano Edição de quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Restos mortais são jogados em açude
Resíduos sólidos da UML são lançados diariamente nas águas do Açude de Bodocongó. Prática ocorre há vários anos
Márcio Rangel // marciorangel.pb@dabr.com.br
Depois das cobranças feitas através da Curadoria de Defesa dos Direitos do Cidadão ao Governo do Estado no que diz respeito as irregularidades encontradas no funcionamento do Núcleo de Medicina e Odontologia Legal - Numol (antiga Unidade de Medicina Legal) de Campina Grande, novos fatos que comprometem o funcionamento do órgão foram constatados na manhã de ontem pela reportagem do Diário da Borborema. O próprio diretor da instituição, José Cavalcanti dos Santos, confirmou que os resíduos sólidos do núcleo são jogados de forma indiscriminada no interior do Açude de Bodocongó, inclusive partes de corpos. O pior é que a prática vem sendo realizada há vários anos.
Lixo está contaminando as águas do reservatório, que fica por trás do prédio da antiga Unidade de Medicina Legal Foto: Junot Lacet/DB/D.A Press
Tem repercutido de forma muito negativa junto à sociedade campinense a situação de abandono do Núcleo de Medicina e Odontologia Legal da cidade que foi revelada, mais uma vez, pelo Ministério Público da Paraíba. As situações de irregularidades e limitações no funcionamento da instituição tem revoltado as autoridades fiscalizadoras e mobilizado a sociedade civil organizada, que tem cobrado soluções imediatas para os problemas.
Na manhã de ontem, o funcionamento do local foi novamente alvo de questionamentos, através da constatação do crime de poluição ambiental por parte da entidade. É que segundo os próprios gestores, todos os resíduos oriundos da UML, inclusive os restos mortais de cadáveres que passam pelas necropsias são jogados ao ar livre, dentro do açude de Bodocongó, que fica por trás do prédio. "Infelizmente esta é a realidade da UML de Campina Grande. Não só a água está sendo contaminada como o solo de toda aquela área. O problema é que o prédio não dispõe de um projeto arquitetônico que defina a destinação dos resíduos. A nossa preocupação ainda é maior, porque hoje, cerca de 50 famílias invadiram um terreno público que fica por trás da unidade e as margens do açude e hoje moram naquele local. Ou seja, com certeza, esta situação de contaminação já tem atingido estas residências", declarou José Cavalcantidos Santos.
Outra situação preocupante, que inclusive foi flagrada pelo Diário da Borborema e publicada na edição de ontem, foi a questão dos corpos que chegam ao Numol e permanecem sem identificação por vários dias. Sem estrutura para armazenamento em câmaras frias, a gerência da unidade tem colocado os cadáveres em sacos plásticos dentro da garagem dos veículos.
Sem identificação
Ontem, três corpos estavam nesta situação. As vítimas, todas oriundas do Sertão do estado, foram vítimas de homicídio e trazidas para a necropsia pela Polícia Militar e permanecem sem nenhuma identificação. "Esse é outro problema grave. Existem corpos que estão no Numol há mais de 30 dias. Hoje temos três nesta situação que chegaram das cidades de Patos, Sousa e Cajazeiras. As famílias não procuraram e nós não temos outro lugar para deixá-los, senão na garagem. Se colocarmos dentro das salas, como as câmaras estão com limitações, ninguém consegue ficar na unidade devido o forte odor que os cadáveres em decomposição exalam é muitoforte", completou Cavalcanti.
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