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Situação crítica em hospitais
Dois estabelecimentos anunciaram demissão de 76 funcionários e descredenciamento do SUS
Antônio Ribeiro // antoniosilva.pb@dabr.com.br
Dois grandes hospitais de Campina Grande estão anunciando a demissão de pelo menos 76 funcionários e, um deles, o descredenciamento do Sistema Único de Saúde(SUS), em função da redução da verba destinada ao atendimento público. Em 15 dias, o Hospital João XXIII estará suspendendo o atendimento, além da dispensa de 36 funcionários.
Hospital Antônio Targino recebe mensalmente R$ 630 mil do SUS Foto:Arquivo/DB/D.A Press
Segundo informações do diretor-administrativo do João XXIII, Felipe Gadelha, no estabelecimento serão demitidos principalmente trabalhadores dos departamentos de enfermaria, limpeza e recepção. O Hospital Antônio Targino informou que estará demitindo 40 empregados até a próxima semana.
De acordo com Felipe Gadelha, o descredenciamento vai ocorrer porque a demanda de atendimento pelo SUS na unidade de saúde está extrapolando a cota repassada pela Secretaria de Saúde, a cada mês. Ele estima que o hospital esteja atendendo mais de 1.300 pessoas por mês no setor de ambulatório e em torno de 52 pacientes por internação. As despesas geradas pelo hospital chegam a R$ 800 mil e a verba repassada é de R$ 430 mil a cada mês.
O diretor-presidente do Hospital Antônio Targino, médico José Targino, informou que a demanda de atendimento pelo SUS também é de 1.300, enquanto o repasse é suficiente para atender pouco mais da metade. O valor repassado por mês é de R$ 630 mil. Diante da situação, Targino disse que o hospital vai trabalhar apenas dentro do repasse, atendendo o equivalente ao número de pessoas a serem cobertas pelos recursos. Ele pretende dispensar cerca de 40 funcionários. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Saúde do Agreste da Borborema, Josemar Bezerra, informou que vai reunir amanhã, às 15h, os funcionários das duas unidades de saúde para debater a situação.
Recursos federais
A diretora da Secretaria de Saúde, Elizabeth Cavalcanti, informou que o problema é difícil de se resolver porque os recursos repassados pelo Ministério da Saúde são pré-estabelecidos. Ela disse que a situação é complicada e afirmou que o secretário MetuseláAgra já entrou em contato com o Ministério informando sobre a situação, mas que nada ainda foi resolvido. "O dinheiro é repassado segundo o número de habitantes de cada município. O problema é que as outras cidades trazem os seus pacientes para Campina e assim complica a situação. Eu defendo a câmara de compensação, na qual seriam distribuídas as cotas de acordo com o atendimento, mas não depende de mim o procedimento", afirmou.
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