Colunas Edição de quarta-feira, 17 de março de 2010
Opinião
Um grande salto
O Brasil acaba de conquistar uma posição invejável no seu comércio com outras nações. Revelou-se que o nosso país, ultrapassando o Canadá, é o terceiro exportador de alimentos, vindo logo depois dos Estados Unidos e da União Europeia, tendo antes desbancado a Austrália e a China, no curso da última década. Recorde-se que no ano 2000 o Brasil era o sexto exportador agrícola, enquanto avançava no aperfeiçoamento das técnicas de produção agropecuária.
A nossa agricultura, que vive um período de grande pujança, tornou-se uma das mais expressivas do mundo, podendo o país, dentro de pouco tempo, transformar-se em um dos celeiros do planeta. Esse é um prognóstico que transita entre os observadores do setor, graça ao nosso desempenho, marcado inclusive por uma crescente produtividade, ponto relevante do desenvolvimento da prática agrícola. As safras brasileiras estão sempre aumentando de volume, com bons resultados no âmbito estatístico.
De acordo com as previsões, a safra agrícola do Brasil em 2010 atingirá 145,1milhões de toneladas, suplantando a de 2009, que ficou na casa dos 133,8 milhões. Trata-se de um excelente prognóstico, que terá, sem dúvida, repercussões positivas na economia brasileira, sabendo-se que o agronegócio é hoje um vigoroso suporte do nosso comércio externo. Aliás, ele responde por aproximadamente 1/3 de tudo aquilo que o país produz. É bom salientar que o ano passado fechou com a balança do agronegócio registrando um superávit da ordem de US$ 54,9 bilhões de dólares.
Acredita-se que esse superávit poderá ir além dos 60 bilhões, este ano, em face do crescimento do nosso PIB, que deve alcançar pelo menos 5,8 %, segundo estimativas técnicas. O jornal O Estado de S. Paulo, em emissão online, registrando o formidável avanço das nossas exportações agropecuárias, que nos levam ao terceiro lugar, entre os grandes produtores, informou: "O ritmo de crescimento da produção brasileira de alimentos já deixava claro que a virada estava prestes a ocorrer. Entre 2000 e 2008, as exportações agrícolas do Brasil cresceram 18,6%, em média, por ano, acima dos 6,3% do Canadá, 6% da Austrália, 8,4% dos Estados Unidos e 11,4% da União Europeia".
Os números acima referenciados demonstram a importância do agronegócio na economia brasileira, tratando-se de uma importante alavanca do desenvolvimento do país. Em contrapartida, o setor espera contar com a indispensável ajuda governamental, a fim de que esteja ele sempre em crescimento, numa escala que garanta ao Brasil poder de competição, fator importantíssimo em termo de comércio externo. Espera-se, assim, que sejam superadas as deficiências da logística de escoamento da produção agrícola, assegurando-se eficiência aos meios de transporte que servem à agropecuária nacional. Nessa perspectiva, temos de aumentar a nossa malha ferroviária, cuidando-se ainda com mais afinco das rodovias, muitas em estado precário.
Destaque-se que é preciso melhorarmos, também, os nossos portos, agilizando-se o embarque das cargas que chegam a esses ancoradouros. Como podemos ver, a logística de escoamento da produção agrícola brasileira é um aspecto determinante para o êxito do desempenho econômico do país, no seu todo.
Globalização e trabalho
Cryslãine Flávia da Silva Rodrigues // estudante de Economia/UFCG
Para muitos historiadores, a globalização teve início com as Grandes Navegações e as Descobertas Marítimas, nos séculos XV e XVI, uma vez que estes fatos históricos fizeram com que os contatos, as trocas de informações, de técnicas e culturas ocorressem de forma mais rápida; resultando em uma maior integração dos mercados mundiais e expansão do capitalismo. E o que, a partir de então, se pode perceber foi apenas uma intensificação desse processo.
Durante o pós 2ª Guerra Mundial houve uma ampla integração dos mercados e das trocas internacionais, e as grandes empresas privadas transnacionais passaram a ter grandes participações nos fluxos de capitais.
No entanto, à medida que esse processo (aqui visto apenas como uma fase de acumulação capitalista que se tornou mais explicita a partir do final da década de 60) se intensifica, proporcionando uma maior integração entre as economias mundiais, facilitando a expansão de novas tecnologias, deslocando aprodução para outros mercados, acirrando a concorrência e etc., este traz consigo o problema do desemprego.
Nos meados dos anos 70, a expansão de novas tecnologias, como a micro-eletrônica, trouxe como consequências significativas reduções salariais, contratos de trabalho temporários e etc. E a onda do neoliberalismo dos anos 80 aos 90, trazendo consigo a reafirmação dos princípios do Capitalismo, fez com que também tivesse início uma forte desregulamentação do trabalho, caracterizada pela ausência da intervenção do Estado na área trabalhista. Elevando-se, a partir desses momentos, as taxas de desemprego e se tornando mais frequentes os contratos de trabalho temporários e o trabalho informal.
Em contrapartida, o mercado de trabalho passou a demandar cada vez mais profissionais com bastante conhecimento e informação, com capacidades que vão além das capacidades técnicas. Assim, será, então, que a causa do problema do desemprego no mundo globalizado encontra-se na má qualificação de muitos trabalhadores que seencontram despreparados para lidar com as exigências? A resposta é não!
O problema do desemprego é, antes de tudo, estrutural, necessário para assegurar o lucro e o capital! À medida que aumenta a necessidade de o capital ampliar os seus mercados por todo o globo, gerando uma concorrência feroz entre as empresas nos mercados globais, surge a necessidade de que, para continuarem assegurando o lucro, estas desenvolvam novas tecnologias, o que implica em significativas reduções do emprego.
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