Política Edição de sexta-feira, 12 de março de 2010
E se o prefeito decidir sair?
A incerteza do vice-prefeito
Em meio à pressão de aliados para que o prefeito de Campina Grande, Veneziano Vital do Rêgo (PMDB), seja candidato a vice-governador na chapa com José Maranhão (PMDB), uma leitura passa despercebida. Além de mexer com os brios do PT, que pretende ocupar a vaga na majoritária com Luciano Cartaxo, os governistas esquecem que, na eventual saída de Veneziano do cargo, o sucessor, José Luiz Júnior, 71 anos, teria de conciliar tratamentos de saúde com a gestão da cidade. E isso implicaria num ritmo diferente à administração, em pleno ano eleitoral, e poderia influir no humor da população campinense, cujo poder de voto é decisivo no estado.
José Luiz está em tratamento de saúde Foto: Xico Morais/DB/D.A Pres
A disputa estadual será difícil e um afastamento de Veneziano do cargo para concorrer a vice ou ao senado seria arriscar perder dois anos de mandato e provocar mudanças no direcionamento político do seu governo. Um salto no escuro e sem retorno certo. Atualmente, o vice-prefeito está em João Pessoa, possivelmente em tratamento, e sendo representado nos eventos da prefeitura por um pastor evangélico de sua confiança.
Já o pedido de José Maranhão para que Veneziano seja o candidato a vice-governador se deve, em parte, às articulações feitas pelo seu adversário e prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho (PSB). Embora o deputado federal Rômulo Gouveia (PSDB) seja bem cotado para ser vice de Coutinho, Maranhão também trabalha com a hipótese de o socialista indicar um nome de Campina para a vaga, que seria o de Ivandro Cunha Lima (PSDB), tio de Cássio Cunha Lima (PSDB), postulante ao Senado. Nesse último caso, portanto, Ricardo teria a dobradinha de dois campinenses, o que poderia fazer a diferença no caso de uma cidade extremamente bairrista como Campina Grande.
O vice-prefeito passou 60 dias afastado do cargo no primeiro semestre do ano passado depois de fazer uma cirurgia para retirada de um coágulo na cabeça e, agora, ele que tem hepatite C, precisaria inclusive de um transplante de fígado, o que exigiria licença.
Corregilionários peemedebistas, entretanto, enaltecem as qualidades do vice-prefeito, inclusive seu lado pessoal, de sempre estar fazendo visitas a comunidades pobres, de ter força de vontade para enfrentar desafios e de ter conduzido com sucesso o programa Fome Zero em Campina Grande. Eles acreditam na capacidade do vice de vencer desafios.
A questão, entretanto, para a cidade é: José Luiz iria aguentar o rojão de uma prefeitura e conciliar com os tratamentos de saúde? Ele diz que sim e tem defensores, como o ex-deputado Gilvan Freire. "O atual vice está com muita disposição para prosseguir a obra administrativa", defende o ex-parlamentar, que é árduo defensor da saída de Veneziano do cargo.
A cidade para um cassista
Se Veneziano deixar a prefeitura, o segundo na linha sucessória passa a ser o presidente da Câmara dos Vereadores, Nelson Gomes Filho (PRP). O parlamentar vira substituto imediato de José Luiz Júnior. Em outras palavras, isso significa que ele pode assumir a prefeitura em dois casos. Se o prefeito ficar fora do município por mais de 15 dias ou se pedir licença para tratamentos de saúde, como ocorreu em 2009.
Nelson dificulta gestão de Veneziano Foto: Junot Lacet/DB/D.A Press
Em qualquer uma das duas circunstâncias, Campina passa às mãos de Nelson Gomes. Não é à toa que os vereadores da oposição elogiam o vice-prefeito e dizem que a cidade ficará em boas mãos, caso Veneziano saia para disputar a eleição de 2010. A oposição afinou o discurso, ressaltando que o prefeito não deveria deixar o cargo. Mas escorregou quando se rasgou em elogios a José Luiz que, segundo Marcos Raia (PDT), faria "uma das melhores administrações de Campina".
Da forma como a atual oposição boicota os projetos de Veneziano, elogios a José Luiz soam estranhos. Nelson, que está no segundo mandato, é cassista de carteirinha e defensor da candidatura de Ricardo Coutinho (PSB) ao governo do estado. Eis a questão levantada pelos correligionários do PMDB campinense, portanto: vale a pena arriscar?
Desde que assumiu o comando da Câmara, Nelson Gomes dificultou a vida de Veneziano o quanto pode. Mesmo estando no poder da Casa Legislativa desde 2009, ele não moveu um músculo para convencer a oposição a aprovar projetos positivos para a cidade como o Código Sanitário e as pastas de Ciência e Tecnologia e de Agricultura.
Essa é mais uma dor de cabeça para o atual prefeito e até mesmo para Maranhão, embora este último ainda não faça essa leitura. É por isso que o grupo de Veneziano estuda um plano B para colocar na mesa do governador. Mas o prefeito mantém o silêncio e já avisou ao seu grupo político que continua analisando todas as possibilidades e que só tomará uma decisão no final do mês.
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