O programa Big Brother Brasil, exibido pela Rede Globo, tem sido alvo de comentários em Campina Grande, especialmente depois das declarações do bispo Dom Luiz Gonzaga Fernandes, juntamente com o padre Assis, além de representantes dos judeus, evangélicos e espíritas, que se posicionaram contra a exibição, inclusive, orientando os fiéis a não acompanharem o programa. Ontem, no entanto, algumas entidades saíram em defesa do BBB 10, "azeitando" a polêmica em torno do assunto.
A Associação dos Homossexuais de Campina Grande, através do diretor José Marcelo (Marcela), disse que o Big Brother Brasil é um programa que quebra preconceitos e, por isso, apoia a transmissão. Ele entende que existe muito tabu na sociedade, principalmente, em relação à sexualidade, e que o BBB é um dos poucos meios de rompimento dos conceitos pré-concebidos, geralmente na forma de uma atitude discriminatória perante pessoas.
De acordo com "Marcela", todos são iguais e o Brasil é um país democrático, devendo por isso os religiosos respeitar a opção de cada um quanto ao que gosta ou deixa de gostar. "Eu tenho o meu direito como cidadão, a minha opção de programa, assim como a minha opção sexual e acho que mereço respeito. Ninguém é diferente de ninguém. Todos são eleitos ou eleitores e Deus é pai da humanidade e não de grupos. Eu gosto de assistir ao BBB e acabou", disse.
O presidente da Associação dos Jovens do Bairro de Santa Rosa, Diego Emanuel, também comunga com a opinão de "Marcela". Ele acredita que o Big Brother é uma porta aberta para a fama, pela qual muitas pessoas sem chances na vida podem entrar e se dar bem. "Eu adoro o Big Brother e o que eu acho mais sensacional é a relação interpessoal entre eles. Num dia eles estão amigos, no outro estão brigando. É como se fosse a realidade da sociedade, a vida real. O ser humano é muito complicado. Eu acredito que as pessoas são contra por puro preconceito", afirmou.
Para o diretor da União Nacional dos Estudantes (UNE), a questão não é de preconceito, mas de qualidade. Ele entende que o programa não contribui em nada com a educação. A ideia, segundo ele, importada da Holanda, tem piorado a cada edição. "Nossa visão do BBB é a de que se trata de um teatrinho de intrigas, confusão e sexofismo, visando atrair o telespectador. A nossa visão é que esse programa não contribui com a boa cultura, atenta contra a moral e por isso somos contra", afirmou o diretor.
O pastor Euder Faber, presidente da Visão Nacional para a Consciência Cristã (Vinacc), também engrossa a fileira dos contra o BBB. Ele ressalta que, segundo a orientação cristã, o sujeito deve ocupar a sua mente com o verdadeiro, puro, honesto, amável, virtuoso, boa fama e louvável. "Eu, particularmente, vejo como uma programação de péssima qualidade e que denigre moral, física e espiritualmente", afirmou.
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Edição de quinta-feira, 11 de março de 2010
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