Política Edição de quinta-feira, 11 de março de 2010
Idas e vindas que trazem perdas
A pendência sobre a criação da Secretaria de Ciência e Tecnologia resultou em perdas de R$ 20 milhões
Aline Moura // alinemoura.pe@dabr.com.br
Pela sexta vez desde o início da gestão de Veneziano Vital do Rêgo (PMDB), o projeto que prevê a criação da Secretaria de Ciência e Tecnologia na Prefeitura de Campina Grande volta à Câmara de Vereadores para ser apreciado. Ele ficou engavetado no ano passado, perdeu a validade e voltou à Casa na última terça-feira para mais uma polêmica. A redação da matéria praticamente não mudou. O que pode pesar, agora, é a força do ano eleitoral e os eventuais desgastes políticos. Campina Grande perdeu mais de R$ 20 milhões em repasses do governo federal por não ter uma pasta focada na área. Agora, a pergunta que resta é: até quando?
Presidente da Câmara, Nelson Freire Filho, confirmou ontem que está disposto a defender a aprovação do projeto, que foi reapresentado pela sexta vez Foto: Junot Lacet/DB/D.A Press
Ontem, o presidente da Câmara, Nelson Gomes Filho (PRP), informou estar disposto a defender o projeto este ano. Ele disse que, durante sua gestão, a matéria só foi enviada pelo prefeito uma vez, mas sem especificar a quantidade de cargos que ele pretendia criar. "Daquela forma, não poderíamos aprovar. Agora, se estiver especificado o número de cargos, vamos discutir com a bancada de vereadores da oposição para saber se ele deve ou não ser aprovado".
O Diario da Borborema questionou se a "falha" apontada pela oposição não poderia ter sido corrigida com um diálogo entre a Câmara e a prefeitura, para evitar que a cidade fosse prejudicada. Ele disse, no entanto, que não poderia agir sozinho, porque a bancada oposicionista tem nove vereadores. "Da minha parte, sempre fui favorável", afirmou.
Enquanto permanece a disputa política, a cidade que exporta softwars para cerca de 40 países é penalizada. Campina Grande é referência na indústria de informática, mas não deslanchou mais do que deveria por conta do impasse entre a Câmara e a prefeitura. A falta de uma secretaria no município é até vista com apreensão no Ministério de Ciência e Tecnologia. Isso porque a cidade fica impedida de receber recursos federais para a área. Cinco Centros de Vocações Tecnológicas, por exemplo, deixaram de ser criados no município nos últimos anos por falta de uma pasta que trate do assunto. Cada um valia R$ 500 mil.
No ano passado, na série intitulada "Falando Grego" publicada pelo jornal, o vereador Nelson Gomes Filho apresentou o mesmo argumento de agora. Disse que tinha total interesse em discutir a matéria pelo bem de Campina Grande, mas isso não terminou acontecendo. A proposta não chegou ao plenário e não recebeu emendas para melhorias. O parlamentar frisou que a oposição temia que a secretaria fosse apenas um "trem da alegria", para criação de empregos e aumento da popularidade do prefeito. Agora, é esperar para ver se há novos argumentos que protelem a criação da pasta. Algo, no mínimo, esquisito. Campina possui mais de 80 empresas produtoras de softwars e o maior número de doutores por habitante do país quando se trata do tema. O município de Caruaru, no Agreste pernambucano, é muito menor que Campina Grande em população e em termos de desenvolvimento tecnológico, mas já tem Secretaria de Ciência e Tecnologia.
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