Cultura Edição de quinta-feira, 11 de março de 2010
Para trazer alegria
Orquestra Marajoara de Frevo vai animar carnaval fora de época que acontece no próximo mês em Campina Grande
Severino Lopes // severinolopes.pb@dabr.com.br
Com 48 anos de existência, a Orquestra Marajoara de Frevo, do Maestro Chiquinho, está se preparando para animar a segunda edição do Abril com Alegria, previsto para acontecer no próximo mês, em Campina Grande. A orquestra, fundada no carnaval de 1962, pelo maestro Francisco Pereira da Silva, puxará os blocos da Saudade, Zé Pereira, Língua de Trapo da Conceição, Gordo Saulo da Manoel Tavares, Cafuçu da Floresta, Canto do Galo da Rua Frei Caneca e Donzela do Moita do Santa Rosa. O som inconfudível da Marajoara também deverá comandar o bloco do Ypiranga e Os Filhos Campina, que nasceu este ano, durante a primeira reunião que decidiu pela realização do Abril com Alegria.
Maestro Chiquinho comanda a Orquestra Marajoara há 40 anos Foto: Xico Morais/DB/D.A Press
Os organizadores do evento estão apenas aguardando a resposta da PBTur para definir os dias da festa. A preferência é para que ocorra nos mesmos dias em que acontecia a Micarande. O frevo da Marajoara ditará o ritmo da festa nas ruas da cidade. A orquestra, que no começo pertencia a Ogírio Cavalcanti,é formada por 18 músicos embalou. Nos idos dos anos 60 e 70, tocou em todos os clubes da cidade, a exemplo do Campinense e Caçadores, e se tornou patrimônio cultural de Campina Grande. "A orquestra fez grandes festas. Quem a ouvia tocar as marchinhas de carnavais não conseguia ficar parado", recorda com certo saudosismo o Maestro Chiquinho.
Chiquinho assumiu de vez o comando da Marajoara no começo dos anos 60 e ainda tocou mais dois carnavais do Campinense Clube ao lado da Orquestra Tupí do Rio de Janeiro, do Maestro Cipó. Por quase 20 anos a Orquestra Marajoara acompanha o Bloco da Saudade, comandado por Eneída Agra Maracajá. Em mais de quatro décadas, a orquestra serviu de vitrine para vários músicos, a exemplo do cantor Capilé, que cantou sete anos no grupo; e Inaldete Amorim, que foi a primeira cantora da orquestra.
Ao longo de todo esse tempo, a Marajoara já abriu espaço para músicos de várias cidades da Paraíba, a exemplo de Riacho de Santo Antônio, Areia, Boa Vista, Serra Redonda, Boqueirão e Queimadas. Muitos dos integrantes pertencem a Filarmônica Epitácio Pessoa. Com a autoridade de quem completou 60 anos de carreira, o Maestro Chiquinho se queixa da falta de incentivo aos músicos instrumentistas. Ele lembra que muitos deles só conseguem tocar no carnaval e passam boa parte do ano parados. Para sobreviver, eles recorrem a outras atividades. O maestro defende a criação de projetos que valorizem as orquestras de frevo durante o ano todo.
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