Brasil Edição de quinta-feira, 11 de março de 2010
Lula agiu certo, diz Jobim
Presidente brasileiro comparou presos políticos de Cuba aos presidiários do Brasil
Brasília - O ministro da Defesa Nelson Jobim, em depoimento à Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, defendeu a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante sua viagem a Cuba, na semana passada. A oposição criticou o presidente por ter "apoiado" o governo cubano justo na semana da morte do ativista Orlando Zapata, que morreu devido a uma greve de fome de 85 dias. Zapata foi o primeiro prisioneiro político falecido em Cuba desde 1972. A declaração de Lula ontem coincide com a divulgação, em Havana, de um novo pedido para que ele interceda em favor dos dissidentes e ajude a acabar com a greve de fome de outro cubano, Gilhermo Farinas.
Lula diz que tem que respeitar as decisões das lideranças da ilha Foto: Edilson Rodrigues/CB/D.A Press
"Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano de deter pessoas em razão da legislação de Cuba, como quero que respeitem o Brasil", disse, ainda, o presidente Lula, na entrevista ontem à Associated Press, em Brasília. Lula declarou que a greve de fome não pode ser utilizada como pretexto para libertar pessoas em nome dos direitos humanos. O presidente pediu ainda respeito às determinações da Justiça cubana com relação à prisão dos dissidentes que se declaram em greve de fome. "Eu estava lá. Não podemos construir um futuro se não reconhecermos os fatos. Não se fará um processo de abertura política em Cuba contra os Castros. Se fará junto com eles", disse Nelson Jobim.
O ministro ainda lembrou o embargo econômico imposto a Cuba, ao contrapor à argumentação do senador Artur Virgílio (PSDB-AM) de que o modelo econômico implantado na ilha caribenha foi responsável pelo atraso econômico e social do país. "O embargo produziu três coisas: um país brutalmente pobre, um povo enormemente orgulhoso e uma desconfiança grande na América do Sul", destacou Jobim. Virgílio retrucou, ao dizer que "o presidente Lula pode ser amigo do Raúl Castro, mas tinha que se posicionar contrário a violações de Direitos Humanos".
Zapata morreu na terça-feira da semana passada. Para impedir o comparecimento de manifestantes ao funeral, o governo cubano prendeu cerca de 50pessoas. A oposição cubana estima que desde a morte do ativista pelo menos 126 pessoas foram presas. "Gostaria que (a detenção de presos políticos) não acontecesse. Mas não posso questionar as razões pelas quais Cuba os deteve, como também não quero que Cuba questione as razões pelas quais há pessoas presas no Brasil", disse Lula à AP ontem.
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