Política Edição de terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Ciro sem palanques
Com somente 10 pré-candidatos a governos estaduais, PSB tem dificuldades para emplacar presidenciável
Ricardo Brito // ricardobrito.df@dabr.com.br
A vontade do deputado e ex-ministro Ciro Gomes (PSB-CE) de ser candidato à Presidência da República esbarra na falta de palanques fortes nos estados para fazer campanha em outubro. Levantamento feito pelo Correio Braziliense/ O Norte aponta que o PSB, até o momento, não tem pré-candidatos a governos estaduais em 17 das 27 unidades da federação. Esses lugares correspondem a potenciais 76,8 milhões de votos a conquistar no universo de 132 milhões do eleitorado brasileiro - 60% do total. Os petistas apostam na falta de palanques regionais, um dos principais termômetros para avaliar o potencial de crescimento de uma campanha, para demover Ciro do projeto presidencial.
Deputado tem espaço para fazer campanha na Paraíba, mas falta estrutura na maioria dos estados Foto: Adauto Cruz/CB/D.A Press
Desde que o PSB aclamou-o como candidato em novembro passado, o ex-ministro não firmou qualquer aliança com outros partidos. Enquanto isso, o PT da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, costurou um amplo leque de alianças regionais - a escolhida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para sucedê-lo játem palanques garantidos nos 26 estados e no Distrito Federal. Lula, que deseja Ciro fora do páreo, quer uma disputa plebiscitária entre Dilma e José Serra, governador de São Paulo e candidato do PSDB. Apesar da pressão nas últimas semanas dos petistas, só em março Ciro e os socialistas vão decidir se retiram a candidatura.
Maiores colégios
O socialista não conta com palanques em importantes colégios eleitorais brasileiros. São os casos do segundo, terceiro, quarto e sexto estados em números de votantes: Minas Gerais (14,1 milhões), Rio de Janeiro (11,3 milhões), Bahia (9,2 milhões) e Paraná (7,3 milhões). Só esses quatro estados representam quase um terço dos eleitores no país. Ao todo, são 15 estados onde o PSB não tem candidatura própria.
Mesmo nos estados em que o partido dele é forte, pequenos e médios colégios eleitorais, Ciro também terá dificuldades. Em Pernambuco, por exemplo, o governador e presidente do partido, Eduardo Campos, estimula Ciro. Mas não pretende que o projeto presidencial crie embaraços para sua reeleição ao Executivo - o PT, que pelo arranjo no estado terá direito a uma vaga ao Senado, cogita lançar candidato ao Palácio Campo das Princesas caso Ciro saia a presidente. No Rio Grande do Norte, o PT pode retirar apoio à candidatura de Iberê Ferreira, vice-governador pelo PSB. O irmão de Ciro e candidato à reeleição ao Ceará, Cid Gomes, pode ter sua campanha esvaziada, uma vez que Dilma e Lula se comprometeram a apoiá-lo. Cid teria, então, de se desdobrar em dois palanques.
Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país com 29 milhões de eleitores, o deputado pelo Ceará está entre a cruz e a espada. Ciro mudou o domicílio eleitoral em setembro para lá a fim atender um apelo de Lula: tornar-se candidato ao governo paulista. Mas o ex-ministro diz não querer. Em compensação, o pré-candidato do PSB, Paulo Skaf, patina com no máximo 2% das intenções de voto numa disputa polarizada entre Geraldo Alckmin (PSDB) e um candidato do PT, possivelmente o senador Aloizio Mercadante.
Na Paraíba, Ciro já tem um palanque com a pré-candidatura do prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho ao governo do estado. Diante da perspectiva de união das oposições, se ampliam as chances de uma vitória na disputa com o governador José Maranhão (PMDB).
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