Mundo Edição de sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Brasil, EUA e França capitaneiam processo
Paris - O chefe de Estado da França, Nicolas Sarkozy, anunciou ontem que proporá aos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Barack Obama, a realização de uma conferência para a reconstrução do Haiti. "Vou propor ao presidente (Barack) Obama, com quem terei a chance de me encontrar nas próximas horas, que Estados Unidos, Brasil, Canadá e outros (países) tomem a iniciativa de convocar uma grande conferência para a reconstrução e o desenvolvimento do Haiti", declarou o presidente francês.
Sarkozy também disse que o terremoto deve ser encarado como uma chance de ajudar o Haiti a sair da "maldição" que vive "há muito tempo", e antecipou que viajará a Porto Príncipe nas próximas semanas, na primeira visita de um presidente francês a terras haitianas.
O anúncio do chefe de Estado francês, que se reuniu com o primeiro-ministro de seu apís, François Fillon, e os ministros de Assuntos Exteriores, Interior e Economia, acontece depois de Lula propor a Obama que o Brasil coordene a ajuda humanitária no Haiti. Sarkozy disse ainda que a França, antiga metrópole do Haiti, foi o primeiro país a reagir à tragédia no país centro-americano. Ele também lembrou que, 48 horas após a catástrofe, já há cerca de 400 soldados franceses na região.
O Brasil começou a implementar ontem seu plano de ajuda ao Haiti, que inclui, entre outras atividades, a retirada dos escombros, o atendimento a feridos e o enterro das vítimas, informou o Ministério da Defesa. "O plano de emergência enfrentará os cinco problemas mais graves detectados pelas autoridades brasileiras que atuam no Haiti: o enterro dos mortos, o socorro médico aos feridos, a remoção dos escombros, o reforço da segurança nas operações e a distribuição de alimentos e água", disse o governo. A estratégia foi montada nas reuniões que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, esteve na última quarta-feira, em Porto Príncipe, com os militares brasileiros que integram a Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah). O plano brasileiro prevê ainda a construçãode uma estrutura de armazenamento e distribuição dos alimentos enviados pelo Brasil e por outros países.
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