Cotidiano Edição de sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Menina é atingida por bala perdida
Fato ocorreu em Aroeiras durante um tiroteio. Ela teve morte cerebral constatada na tarde de ontem
Márcio Rangel // marciorangel.pb@dabr.com.br
Um crime registrado por volta das 18h da última quarta-feira, chocou os moradores da pequena cidade de Aroeiras, localizada na região do Cariri paraibano. Maria Eduarda Aquino da Silva, de apenas quatro anos de idade, foi ferida por uma bala perdida quando brincava dentro do carro do próprio pai. O projétil atingiu a cabeça da menina que foi socorrida para o Hospital Regional e depois transferida para o Hospital Antônio Targino, em Campina Grande. Por volta das 13h de ontem ela teve morte cerebral e até o fechamento desta edição o estado era considerado grave.
Segundo a polícia, o alvo seria um homem, identificado apenas como "Lindo" que mora nas proximidades da casa da criança. A ação ocorreu quando Maria Eduarda brincava na frente de casa, na rua Bela Vista, no centro da cidade.
A vítima foi surpreendida por quatro homens que estavam em um veículo de cor prata, que chegaram ao local já disparando. Ao perceber que o alvo seria ele, "Lindo" correu e tentou se esconder por trás do veículo pertencente ao pai da criança para se proteger de um dos tiros. Um dos disparos acabou atingindo a menina que estava brincando dentro do veículo.
Após o susto, as pessoas que moram na comunidade resolveram sair de suas casas. Naquele instante o pai da menina a encontrou dentro do autómovel sangrando muito e agonizando. Maria Eduarda foi levada para o hospital público de Aroeiras e em seguida transferida para Campina Grande, onde primeiramente foi analisada pelos profissionais do Hospital Regional Dom Luiz Gonzaga Fernandes e depois encaminhada para o Hospital Antônio Targino(HAT).
No HAT a jovem foi encaminhada para a emergência, onde foi submetida a uma neurocirurgia, realizada pelo médico Leão Costa. O procedimento teve como objetivo principal estancar o sangramento causado pela lesão. Após a cirurgia, a menor foi transferida para o Centro de Terapia Intensiva (CTI), onde permanecia internada até o final da tarde de ontem.
"O estado de saúde da menina é gravissímo e as chances dela sobreviver são muito pequenas. Infelizmente, o trauma causado pelo projétil foi muito grande, já que o disparo atingiu a cabeça de forma frontal. Desde a noite passada ela estava respirando com o auxílio de aparelhos" revelou Ítalo César, médico intensivista do HAT, na manhã de ontem.
Revolta
Na manhã de ontem o clima em Aroeiras era de medo e revolta. Muito abalada, a mãe da menina, Genilda Aquino da Silva, 35, declarou que quer justiça e que os responsáveis pela morte de sua filha devem ser presos. "Minha única filha, meu tesouro, minha vida, morta covardemente por um grupo de bandidos que, no mínino, não sabem o que é ter um filho. Eu estou revoltada por tudo e espero que a polícia faça justiça. Algumas pessoas chegaram a contar que os bandidos estavam em um carro prata e tentaram matar um dos nossos vizinhos que fugiu. O motivo seria uma vingança que eles tinham" comentou Genilda.
Na tarde ontem, os pais da jovem compareceram a delegacia de Polícia Civil de Aroeiras para registrar o crime. O caso será investigado pelo delegado Ewerton de Almeida que deverá também convocar o homem, identificado apenas como "Lindo" para prestar esclarecimentos sobre o ocorrido. Até o fechamento desta edição nenhum dos suspeitos havia sido identificado.
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