Colunas Edição de terça-feira, 24 de novembro de 2009
Opinião
Relacionamento agitado com Buenos Aires
Ainda que os presidentes do Brasil e Argentina tenham celebrado fazer de conta que o último entrevero na fronteira terrestre dos dois países poderia ser sanado com uma boa conversa - a da semana passada, em Brasília -, a realidade dos fatos revelou que não, que o relacionamento comercial entre Buenos Aires e Brasília segue precário como nos começos da implementação do Tratado de Assunção. Larga matéria sobre o assunto divulgada no princípio do mês pelo "O Estado de S. Paulo" revela uma porção de coisas sobre o Mercosul, mas, sobretudo, que o segmento privado da economia nacional "está cansado" dessa entidade que mais atrapalha que facilita o intercâmbio entre os países associados entre si e entre o conjunto dos países arregimentados no cone sul do continente e as demais nações do mundo, ou seja, da Europa, da Ásia e Estados Unidos. Diz o influente jornal paulistano que, na vontade da maioria dos empresários do nosso país, o projeto "precisa ser reinventado" para que gere satisfações, resultados objetivos.
Empresários houve que advogam a recriação do Mercosul em termos de um claro e indiscutível recuo do estágio atual, em que a ideia é termos, no continente, uma união aduaneira, para que antes, disso, alcancemos resultados efetivos e gerais mediante o funcionamento de uma simples "área de livre comércio".
Daria bem o estágio de "união aduaneira", se tivéssemos por aqui, no continente, outra mentalidade econômica e outra escala de produção e trocas. Enquanto isto, a "área de livre comércio" deixaria os homens da iniciativa particular à vontade para criar soluções engenhosas e rápidas naquilo que convém a todos: o abastecimento sem reservas das necessidade manifestas desta zona das Américas.
A saída do regime de "união aduaneira" para a de "área de livre comércio" deixaria livre por exemplo o Brasil para fechar, sozinho, acordos bilaterais com blocos importantes quanto a União Europeia, cujas negociações estão sendo penosamente retomadas na cidade de Lisboa. Os empresários nacionais, além de tudo, acham que os conflitos com Argentina sobretudo e a entrada, no bloco, da Venezuela, deixarão o grupo ainda mais fragilizado. Dizem que "não podemos ficar jungidos, manietados, aos protecionismos argentinos, coisa de uma época que tem tudo para não voltar". Os empresários brasileiros estão a perguntar que tipo de união aduaneira é esse que amarra um país com o potencial do Brasil a ideologias fomentadoras de litígios que apenas interessam a um só parceiro e, nele, a uma ou duas facções políticas. A ideologia do Mercosul deveria ser amplitude de comércio e liberdade de movimento.
Já a anunciada entrada no Mercosul do dirigente Hugo Chávez, da Venezuela, se acaso venha a facilitar o incremento do atual nível de intercâmbio econômico, por outro lado poderá constituir-se numa fábrica de empeços e dificuldades na ordem política para o Brasil.
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