Colunas Edição de quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Opinião
Crise exige solução rápida em Honduras
O imbróglio do cerco à Embaixada do Brasil em Honduras, que segue prendendo a atenção mundial, precisa ser solucionado o quanto antes. Em discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu à comunidade internacional apoio para o imediato retorno ao poder do presidente deposto, Manuel Zelaya, além de exigir respeito à imunidade diplomática da representação brasileira, ameaçada de invasão. A fala de Lula teve eco: sob o comando do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, uma missão de mediação foi a Honduras no fim de semana. Integraram a comitiva alguns embaixadores que haviam deixado Tegucigalpa depois do golpe militar.
Se o governo brasileiro não pode socorrer sua embaixada por meio de força militar, cabe-lhe mesmo recorrer à comunidade internacional para dar fim ao impasse que se arrasta. O presidente Lula pôde apresentar à ONU um Brasil respeitado não apenas pela maturidade democrática, mas igualmente por oferecer ao mundo um modelo econômico diferenciado, que soube enfrentar a crise e sair dela com o menor prejuízo possível. Credenciado, portanto, para apresentar propostas factíveis para um ordenamento mundial mais justo e equilibrado.
Preocupação é restaurar a normalidade
Prevalece o entendimento de que a deposição de Zelaya, eleito democraticamente, feriu o Estado Democrático de Direito, que dispõe de mecanismos legais para destituir um governante, ainda que possam se diferenciar de um país para outro. Quanto à posição do Brasil na crise, se deveria ou não aceitar o pedido de abrigo de um presidente deposto, é questão para reflexão posterior. Mais importante no momento é cerrar fileiras em torno da defesa do ato soberano do país, para enfrentar com a devida urgência as adversidades presentes.
A preocupação é restaurar a normalidade democrática em solo hondurenho, antes que as disputas internas por poder descambem para uma guerra civil e outros países da região se envolvam com a causa, com reflexos na estabilidade regional. Enfim, a tempo deque a crise em curso não turve a democracia latino-americana. Honduras é um país pequeno, com 112 mil quilômetros quadrados e pouco mais de 7 milhões de habitantes. A comunidade interamericana saberá encontrar saída pacífica para a questão.
Charge
Arte: J.César
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