Cultura Edição de quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Abismos // Obra reverencia nomes da literatura
Uma coletânea de ensaios que reúne erudição e sensibilidade, sem o habitual tédio e hermetismo que permeia boa parte das publicações saídas da Academia. Assim poderia ser resumido o livro Os abismos do ser, de autoria de José Mário da Silva. A publicação foi lançada recentemente, com o selo das Edições Galo Branco, uma das maiores do Rio de Janeiro, inserida na Coleção Ensaio, dirigida pelo professor carioca Gilberto Mendonça Teles.
Para o escritor, estes dois fatores já se configuram como um motivo a ser celebrado. "É muito difícil entrar nesse eixo do Sudeste e admiro sobremodo a obra de Teles; é um dos maiores escritores contemporâneos", explicou. Os abismos do ser é resultado de três anos de escrita e reúne alguns textos inéditos e outros publicados em veículos diversos, conforme relatou.
A publicação percorre a obra de figuras canônicas da literatura, como Jorge Amado, Lêdo Ivo e João Cabral de Melo Neto e também autores emergentes, a exemplo de André de Sena, Nauro Machado e Luís Augusto Cassas. "A escolha teve como base a qualidade estética dos escritores. A literatura é um sistema que se renova, os clássicos sempre serão revisitados, mas também é preciso conhecer aquilo que se produz na atualidade", apontou.
O professor doutor em Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), Antônio Carlos Sechinn, assina um breve texto na contracapa de O abismos do ser. Nela, o docente destaca uma erudição que não é invasiva ou pesada na escrita de José Mário. "Há uma sensibilidade que se desvela no diálogo fino e amoroso com a obra analisada, detectando-lhe a íntima pulsação e a carga de humanidade que o texto carrega", diz.
Certo é que Mário, conhecido pelo veio poético de seus textos, prefere ser compreendido, a escrever para si mesmo ou para um pequeno grupo. "A escrita narcísica é limitadora. A linguagem não pode ser inacessível. De minha parte, existe todo um cuidado com a teoria, mas isso vem acrescentar elementos ao texto e não torná-lo pesado", contou o autor.
O poeta e crítico literário, membro da Academia Paraibana de Letras (APL) e doutor no citado curso, Hildeberto Barbosa Filho, assina o prefácio. Para ele, nesta coletânea de ensaios, José Mário demonstra um raro compromisso com a crítica. "Não é qualquer um que pode correr o risco de estabelecer o diálogo sensível e inteligente com os arquitetos da palavra", revelou.
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