Cultura Edição de quarta-feira, 2 de setembro de 2009
A vida do bispo da paz
Exposição aberta ontem, no Shopping Boulevard, narra um pouco da trajetória de Dom Helder Câmara
Oziella Inocêncio // oziellalima.pb@diariosassociados.com.br
O único brasileiro indicado quatro vezes ao Prêmio Nobel da Paz recebe uma justa homenagem em Campina Grande. É que foi aberta ontem, na cidade, na praça de eventos do Shopping Boulevard, a exposição Dom Helder: memória e profecia no seu centenário 1909 - 2009. O evento se estenderá até a próxima segunda-feira, resgatando a história daquele que foi um dos bispos católicos mais reconhecidos em todo o mundo, pela sua luta em favor da paz e dos direitos humanos.
Mostra, que conta com 26 painéis com fotos e textos de Dom Helder, deve ficar exposta na praça de eventos até a próxima segunda-feira Foto: Xico Morais/DB/D.A Press
A iniciativa é oriunda do Centro de Ação Cultural (Centrac) e da Diocese de Campina Grande, tendo como cerne o cultivo da memória de Câmara, que também ficou conhecido por seu trabalho em favor da justiça social. A exposição foi montada, inicialmente, na França e cedida ao Brasil, por José Broucker, seu curador. São, ao todo, 26 painéis que medem 1,70m x 1,20m, trazendo textos, fotografias, mapas dos locais onde ele passou, poemas, entre outros artigos similares, que expõem a trajetória do maisconhecido dentre os bispos brasileiros do século XX.
O destaque da mostra são algumas fotos que revelam momentos da intimidade do religioso, mostrando seus períodos de estudo e reclusão. De acordo com o bispo de Campina Grande, Dom Jaime Vieira Rocha, a história de Helder é permeada pela coragem e pela liderança que exerceu tanto no Brasil quanto em diversas localidades do mundo. "Ele estabeleceu uma clara resistência ao regime militar. Tornou-se líder contra o autoritarismo, expôs suas ideias e foi muito criticado por alguns por causa disso, mas não se deixou abalar", explicou.
Admiradora e estudiosa da vida de Câmara, a professora Marli Cândido de Sousa, explicou que a vida do chamado "Bispo Vermelho", como o alcunharam alguns militares, afirmando que suas ideias eram comunistas, representa um exemplo para os dias contemporâneos. "Em 1968, em Medellín, Helder afirmou que era mister uma Igreja autenticamente pobre, missionária e pascal, desligada de todo o poder temporal e corajosamente comprometida na libertação do ser humano como um todo e de toda a humanidade. É mesmo um ideal pleno de beleza, neste contexto de mundo no qual é imprescindível lutar contra o consumismo e a competição", revelou.
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