Política Edição de quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Jereissati faz 'mea culpa' e pede desculpas ao povo
Senador do PSDB promoveu bate-boca com Renan Calheiros
O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) pediu ontem desculpas pelo bate-boca protagonizado por ele e pelo líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), ocorrido na última quinta-feira. Jereissati se disse insatisfeito consigo mesmo e lamentou "profundamente" o ocorrido.
Tasso atribuiu a discussão com o líder do PMDB à crise que o Senado enfrenta e propôs a união dos senadores Foto:Roosewelt Pinheiro/Agencia Senad
"Realmente, foi um acontecimento deplorável. Queria, publicamente, aqui dizer da minha insatisfação comigo mesmo, de lamentar profundamente e de pedir desculpas aos meus pares, senadores, e à população brasileira por ter me comportado de maneira que não pode ser considerada elegante, educada e que não seria, portanto, adequada a um senador e adequada, mesmo naquele momento, ao Senado e à história e às tradições desta Casa", disse o tucano na tribuna da Casa.
Na ocasião, Jereissati e Calheiros trocaram insultos e palavrões após a leitura da representação que o PMDB apresentou ao Conselho de Ética contra o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AL). Durante o bate-boca, o tucano chegou a chamar Renan Calheiros de "cangaceiro de terceira categoria" e foixingado.
Em seu pronunciamento, Jereissati lembrou de seu passado político, como governador do Ceará por 12 anos e presidente de seu partido durante duas eleições presidenciais, e afirmou que nunca havia passado, durante sua vida pública, por uma situação de violência. "Não tenho, sequer, na minha história, qualquer atitude que represente violência, falta de educação ou qualquer tipo, inclusive, de denuncismo. Senadores, não sei, nunca vi, um dossiê na minha frente, quando alguém fala em dossiê já me assusto. Não sei fazer, não sei como fazem e não gosto de tratar de política dessa maneira. Minhas preocupações são outras."
Ele atribuiu a discussão com o líder peemedebista à crise que enfrenta o Senado e propôs a união de todos os senadores para uma ampla reforma administrativa na instituição.
Sarney
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), afirmou que a crise enfrentada pela Casa se deve à sua "luta política" e à intenção de enfraquecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sarney disse que nunca foi acusado de nada e que tem a consciência tranquila. "Pelo fato de minha luta política ter algum peso na sucessão, desencadeou-se essa crise para enfraquecer o presidente da República. Não posso senão resistir e ser firme, com a certeza de minha consciência e da lisura no trato com as coisas administrativas. A coisa mais grave de que me acusam é de que eu tinha pedido para nomearem o namorado da minha neta", disse.
"Se não fiz qualquer coisa de errado ao longo de minha vida pública, não esperaria 55 anos para fazer agora. Nunca me meti em qualquer coisa errada", acrescentou. Sarney fez as declarações ao receber a visita de políticos do Amapá.
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