Mundo Edição de quarta-feira, 12 de agosto de 2009
A paz sob condenação
A líder do movimento democrata da Birmânia, San Kyim, premiada com o Nobel, foi condenada a trabalhos forçados
A Nobel da Paz e líder do movimento democrata birmanês, Aung San Suu Kyi, foi condenada ontem a três anos de trabalhos forçados por violar sua prisão domiciliar. A Junta Militar presidida pelo general Than Shwe comutou a pena imposta à Nobel da Paz e ordenou que fosse transferida a sua residência para cumprir outros 18 meses de prisão. Duas mulheres que ajudaram a ativista política também foram condenadas à mesmo pena domiciliar.
Para aliados da birmanesa (foto), a sentença pretende tirá-la das eleições Foto:NLD/EFE
A ordem ditada por escrito e assinada por Than Shwe um dia antes de se conhecer a decisão foi lida na sala do tribunal pelo ministro do Interior, general Maung Oo. Em sua mensagem, o chefe do Governo militar indicou que tinha decidido reduzir a pena de Suu Kyi com o objetivo de manter a "paz e a estabilidade", e também porque ela era filha do general Aung San, assassinado em 1947 e considerado o herói da independência de Mianmar (antiga Birmânia) do Reino Unido.
Usando um tradicional vestido birmanês de cor rosa e cinza, Suu Kyi, que permaneceu por todo o tempo com um semblante sério, segundo diplomatas presentes na sala, se despediu do tribunal com um "obrigado pelo veredicto". Ela foi acusada de violar os termos da prisão domiciliar ao receber por duas noites em sua casa o americano John Willian Yettaw, julgado em paralelo por infringir a lei de segurança nacional e condenado a sete anos de prisão.
Uma aparente falha nas medidas de segurança permitiu, em maio, que Yettaw atravessasse a nado o lago onde está a casa que a líder cumpria havia quase seis anos a ordem de prisão domiciliar imposta por ativismo político. Yettaw, de 54 anos e que sofre de diabetes, recebeu alta ontem à noite do Hospital Geral de Yangun, onde ficou internado por uma semana para receber cuidados contra os ataques de epilepsia que sofre há anos.
Desculpa
Os grupos de exilados birmaneses e membros da Liga Nacional pela Democracia (LND), o partido liderado por Suu Kyi e único legalizado que resiste à intensa pressão do regime, denunciam que o julgamento foi a desculpa para impedir que a Nobel da Paz participedas eleições legislativas que a cúpula militar planeja realizar em 2010. A liga, com Suu Kyi à frente, ganhou por grande maioria o pleito de 1990, cujo resultado nunca foi reconhecido pelos generais.
Desde que a Nobel da Paz retornou a Mianmar, em 1988, passou quase 14 anos em cativeiro. O novo veredicto, que a princípio seria emitido em 31 de julho, foi adiado para ontem pelo tribunal especial, que alegou ser necessário mais tempo para estudar os argumentos legais relacionados com a Constituição de 1974, substituída no ano passado por outra aprovada em um plebiscito.
Clique na imagem para
vê-la maior
Edição de quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Edições anteriores
Selecione a data do
Diario que você
deseja visualizar
Copyright
- DiariodaBorborema.com.br | todos os direitos reservados. É proibida
a reprodução parcial ou total do conteúdo
desta página sem a prévia autorização |
espacodoleitor.pb@diariosassociados.com.br