Duas espingardas e uma pequena quantidade de chumbo e pólvora foram apreendidos durante a Operação Potiguara, realizada na manhã de ontem, na aldeia indígena de Jaraguá, em Rio Tinto. A ação envolveu 90 homens, entre 54 policiais federais, 30 policiais militares e seis membros da Funai. O objetivo da ação foi o cumprimento de sete mandados de busca e apreensão expedido pelo juiz da 2º Vara Federal da Paraíba na busca pela arma de fogo usada na tentativa de homicídio contra o cacique Aníbal Cordeiro Campos, em março deste ano.
As duas armas e a pequena quantidade de chumbo e pólvora foram levadas para análise na Polícia Federal Foto:Rafaela Tabosa/ON/D.A. Press
Segundo o delegado responsável pela ação, Derli Brasileiro, a ação não teve resistência e ocorreu de maneira pacífica. As espingardas apreendidas são de calibres 22 e 32 e serão confrontadas com os projéteis retirados do corpo do índio, que se encontram em poder da Polícia Federal. No entanto, a possibilidade de uma dessas armas ser a mesma utilizada no crime é remota, já que as balas que atingiram o índio são provenientes de armas menores, segundo informações da assessoria de imprensa da PF.
Os mandatos de busca e apreensão expedidos pelo juiz Rogério de Abreu foram direcionados a seis residências na própria tribo, em Rio Tinto, e uma residência em João Pessoa, na Rua Raul Seixas, no Alto do Mateus. A operação teve início às 4h, sendo concluída por volta das 9h30.
Esta é apenas uma das ações do inquérito policial que tramita desde março na Polícia Federal. Segundo Brasileiro, outras medidas foram tomadas durante esse tempo, mas nenhuma delas surtiu efeito. "Ouvimos várias pessoas, algumas delas mais de uma vez. O inquérito continua", afirmou.
Além de responder contra tentativa de homicídio, o autor do crime - se for encontrado - poderá responder na Justiça Federal por crime contra a coletividade indígena. Segundo Derli Brasileiro, se isto vier a acontecer, será inédito no estado.
Disputa
De acordo com o depoimento da família da vítima, dois homens entraram na residência do cacique Cordeiro no dia 22 de março e dispararam contra eletrês tiros. O fato aconteceu logo que o índio assumiu o posto de cacique da tribo. Tudo leva a crer que os motivos do crime são relacionados a disputa por liderança.
O cacique passou vários dias internado no Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa em estado grave, mas recebeu alta e passa bem. Um dia depois da tentativa de homicídio, os índios da aldeia Jaraguá fecharam a BR-101, pedindo que a Polícia Federal investigasse o caso. Na ocasião, um homem esteve no local e efetuou disparos contra a polícia. Segundo o delegado Derli Brasileiro, este homem está preso e também será ouvido durante o inquérito.
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Edição de quarta-feira, 12 de agosto de 2009
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