Brasil Edição de quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Edir Macedo no banco dos réus
Justiça acolheu a denúncia de que líder da Igreja Universal e nove pessoas lavaram dinheiro e formaram quadrilha
A Igreja Universal do Reino de Deus sofreu um duro golpe ontem. O Tribunal de Justiça de São Paulo aceitou denúncia contra o bispo Edir Macedo, líder da instituição, e outras nove pessoas por suposta formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Segundo o Ministério Público, para adquirir empresas de comunicação e outros bens, o grupo usava dinheiro doado por fiéis da igreja.De acordo com as investigações do MP, as quantias eram enviadas ao exterior e voltavam ao Brasil por meio de empresas de fachada. Segundo o artigo 150 da Constituição, "é vedado à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios" instituir impostos sobre "templos de qualquer culto". O processo contra as dez pessoas denunciadas pelo Ministério Público de São Paulo está em andamento na 9ª Vara Criminal da capital.
Grupo do bispo (foto) é acusado de utilizar irregularmente doações dos fiéis Foto:Epitácio Pessoa/AE
Todos passaram a ser réus no processo e têm dez dias - prazo estabelecido no Código Penal - para apresentar as defesas prévias. O MP informou que a denúncia, apresentada no dia 5 de agosto, é resultado de investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Os denunciados integram um grupo que supostamente remetia os recursos oriundos de doações dos fiéis da igreja para duas empresas: a Unimetro Empreendimentos S/A e a Cremo Empreendimentos S/A. Segundo os promotores, são empresas fantasmas, pertencentes aos denunciados e instaladas em um mesmo endereço.
Perseguição
O advogado Arthur Lavigne, que representa a igreja, disse que as duas empresas tiveram suas contas aprovadas pela Receita Federal. Ele negou fraudes e disse que a Universal e seus integrantes são perseguidos pelo Ministério Público paulista. Segundo comunicado divulgado pelo Ministério Público, "ficou provado que o dinheiro das doações, em vez de ser usado para a manutenção dos cultos, era desviado para atender a interesses dos denunciados".
Em 2004 e 2005, de acordo com o MP, as duas empresas "foram responsáveis pela movimentação, ocultação e dissimulação de mais de R$ 71 milhões". O Ministério Público diz que, há dez anos, o grupo utiliza a Igreja Universal para a prática de fraudes. O órgão estima que a instituição movimente cerca de R$ 1,4 bilhão por ano no Brasil como resultado de doações de fiéis.
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