Política Edição de sexta-feira, 26 de junho de 2009
"BALANCÊ" // Simon volta a pedir o afastamento de Sarney
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) voltou a sugerir, ontem, que o presidente do Senado, José Sarney, se afaste do cargo até que se completem as investigações das denúncias de irregularidades na instituição. Na avaliação de Simon, seria melhor Sarney deixar a presidência "antes que a sua situação fique insustentável e seja obrigado a sair". Frisou que a saída de Sarney não significaria admissão de culpa ou a aceitação da responsabilidade por tudo, mas "representaria um ato de grandeza de quem fez muitas coisas boas".
O senador disse que falava com profundo sentimento de mágoa, pois não gostaria dizer que "o presidente Sarney tem que se afastar da presidência para o bem dele, da família dele, da sua história e deste Senado; se for possível, hoje."
O parlamentar gaúcho assinalou que Sarney não deve ser responsável pela investigação do próprio neto, do mordomo da filha ou do diretor-geral, Agaciel Maia, que ele mesmo indicou para o cargo, há 14 anos. Simon lembrou medidas já adotadas, como a exoneração de diretoresdo Senado e a designação de comissões especiais de sindicância, observando que "até agora parece que nada valeu".
Ele disse que a população nutre um sentimento de mágoa pelo Senado e está vendo de maneira muito dura a classe política. "Não há lugar mais triste para estarmos do que o Senado. Ninguém confia em nós. Ninguém acredita que esta Casa vai fazer alguma coisa", lamentou.
Pedro Simon disse que não pode culpar a imprensa por divulgar os erros e irregularidades ocorridos no Senado, mas pode criticar a forma como as coisas foram feitas. Em aparte, o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) disse que, "embora não tenha contribuído um milímetro" para a crise, Simon também é responsável por ela. Ele lembrou o episódio em que um grupo de senadores convidou o senador pelo Rio Grande do Sul para ser candidato suprapartidário à Presidência do Senado, mas Simon rejeitou.
"Se, naquele momento, tivesse pensado um pouco mais no Senado e no Brasil, talvez estivéssemos vivendo em outras águas aqui", assinalou Fortes. Simonrespondeu reconhecendo que realmente não aceitou o convite porque, ao colocar a proposta em discussão na bancada, seu partido o deixou "falando sozinho", recusando apoio a uma candidatura suprapartidária. "Lamento, mas não aceitei e acho que não fiz mal", disse.
O senador Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC) discordou do senador Pedro Simon e disse que a renúncia ou mesmo o pedido de licença são atos voluntários. Para o senador, aqueles que cobram o afastamento de Sarney deveriam cobrar o mesmo de todos os membros da Mesa. Mesquita disse a Casa passa para o povo a impressão de que trama-se um golpe contra o processo eleitoral.
"Se nada acontecer dentro de algum tempo, aí talvez seja o caso de tomarmos uma decisão. Mal ou bem, os fatos estão sob investigação", assinalou. Simon lembrou que uma eventual renúncia seria diferente de outros episódios na Casa. Ele recordou os senadores Jader Barbalho, ACM e Renan Calheiros, que renunciaram para não ser cassados.
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